A Advogada

aadvogada.pt · Nov 23, 2018

E NÃO VIVERAM FELIZES PARA SEMPRE

Cada um à sua maneira, todos andamos à procura do mesmo, ser felizes.

O pior, é que às vezes, muitas, demais, a realidade troca as voltas ao sonho.

Em 2016 em Portugal, por cada 100 casamentos, houve 60 divórcios.

Não há advogado que não tenha no escritório processos de divórcio, o que significa que o felizes para sempre, ali, com aquelas duas pessoas, não foi o fim da história.

Depois é preciso arrumar a vida e arrumar a casa, principalmente a dos afectos, nessa fase de divórcio, naturalmente desarrumada.

Imagem retirada da web, poderá estar sujeita a direitos de autor

Quando os dois querem o divórcio é “um parto sem dor”, que deixa marcas, memórias de uma história comum que chegou ao fim, mas acaba bem.

Quando os dois querem, tudo se resolve na Conservatória do Registo Civil, um sim, ainda mais rápido do que o do casamento: “Sim quero divorciar-me”. E já está. Se renunciarem ao prazo de recurso, entram casados e saem divorciados.

Imagem retirada da web, poderá estar sujeita a direitos de autor

Por dentro podem ficar fantasmas e tempestades, risos e choros, luzes e sombras, mas por fora, já está, com a vantagem das matérias relativas a filhos, bens comuns e casa de família, ficarem também resolvidas.

Mas, e quando um não quer?

No casamento como no tango, são precisos dois…Ninguém é obrigado a continuar num casamento “faz de conta” e a lei assim o dita. Quando um já não quer dançar, o divórcio, é inevitável.

E quando o casamento é “faz de conta” é possível acertar as contas com a vida. Aquele que quer, tem de o direito de pedir ao tribunal que declare dissolvido o casamento.

É a vida que vai dissolvendo um casamento, mas é o tribunal quem tem de o dizer por sentença.

E tenho de aceitar? Pergunta-me a Mafalda (nome fictício) que me procurou há dias, ainda meio atordoada com a notícia, de que o Francisco, o marido, se quer divorciar e saiu de casa.

Expliquei à Mafalda que o Francisco se quer pode. Basta que deixe passar o tempo, alegue e prove separação de facto há mais de um ano, e terá o pretendido divórcio.

Assim tão simples? Pergunta a Mafalda.

Tão simples, como serem precisos dois para dançar o tango, tão complicado como ficar sozinho na sala de baile, o que sempre acontece ao que não quer o divórcio.

Imagem retirada daqui: https://www.ngenespanol.com/travel/cuales-son-los-origenes-del-tango/

A Mafalda diz-me que vai pensar melhor. Que talvez também acabe por concordar com o inevitável divórcio em vez de o adiar.

Que talvez prefira resolver tudo de vez, em vez de ficar um ano à espera que o Francisco mude de ideias e decida voltar.

Até porque, bem vistas as coisas, agora é ela que já nem tem a certeza se quer que ele volte.

Afinal, no casamento como no tango, são precisos dois, lembra a Mafalda.

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