HILDA HILST uma mulher à procura…
Desculpem a minha ignorância, mas não a conhecia. Hoje, a propósito do “Dia de Todos os Santos”, foi-me apresentada.
Já lhe chamaram a maior escritora do século XX, já lhe chamaram “A obscena senhora Hilda Hilst”. Mas, quem é esta mulher intrigante, irreverente, uma “fora da caixa” que com outros igualmente “fora” pertenceu à geração de poetas brasileiros de 45?
Filha de um rico fazendeiro de café e de mãe portuguesa, cedo se afirmou na poesia.
Hilda Hilst, foi poeta, ficcionista, cronista e dramaturga brasileira. É considerada pela crítica como uma das maiores escritoras em língua portuguesa do século XX. Licenciada em direito, a escrita foi o seu caminho.
Hilda: Biarritz, 1957. Foto do Cadernos de literatura do IMS
Troca a vida na alta sociedade brasileira, por uma casa de campo, verdadeiramente alternativa que hoje, se diria, ecológica.
Transgressora, desafiadora, vive rodeada de artistas, vai namorando, casa, divorcia-se, escreve sobre tudo mas a procura de DEUS atravessa-a em todos os momentos.
“Nas minhas orações, à noite, eu fico falando com Deus como se ele estivesse perto de mim, com sotaque português. Eu digo: ‘Ai, meu Deus, por favor, não me dê muitas mágoas, muitos martírios’.” (entrevista a Sónia Mascaro)
Uma procura de si e de Deus, por caminhos que no mínimo, podemos dizer, olhando a sua vida e escrita, são ínvios.
Esta alma inquieta, que parece não ter rumo certo, vive em permanente procura de DEUS.
“Minha relação com Deus é uma relação muito especial; fica muito difícil explicar isso”
(entrevista a Nelly Coelho)
Nas muitas entrevistas que dá, fala dessa procura que é um verdadeiro sentido da existência, mesmo quando, como as crianças fazem, “Tenta chamar a SUA atenção “de forma que sabe errada.
“Eu não sei visualizá-lo, mas sei que esse ser está em comunhão comigo e eu queria demais desafiar este sem Nome. E eu desafiei-O muitas vezes em meus livros como uma blasfêmia, para ver se de repente dava um furor nele e Ele dizia: ‘está bem, eu estou aqui’.
Talvez, esse desafio, se refira à poesia obscena e erótica que publica ou à sua vida, porventura, inspiradora ou inspirada nessa poesia.
Nesta aparente desordem, onde a morte do pai esquizofrénico só acentua ainda mais esse caos, Hilda nunca desiste de procurar. Entre trevas e luz, escolhe dar à sua casa de campo, o luminoso nome de “Casa do Sol”.
Um diálogo permanente, que é às vezes, uma oração e uma súplica “Se te pareço nocturna e imperfeita olha-me de novo”
Hoje, dia de Todos os Santos, tropecei num dos seus pensamentos:
“A VERDADEIRA REVOLUÇÃO É A SANTIDADE”.
Deus mandou um recado pela obra desta mulher controversa, com palavras luminosas e obscuras, como a natureza humana.
A santidade é um convite para todos, pecadores como nós, eternamente à procura como ela.
Obrigada Hilda. Prazer em conhecer!
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