(I)RRESPONSABILIDADES PARENTAIS
Mais vale um bom acordo do que uma má demanda!
Uma vez uma pequenita referindo-se ao facto de um dos pais se ter apaixonado por uma terceira pessoa, comentou “Os adultos apaixonam-se e as crianças é que sofrem!”.
Nada mais verdadeiro. Depois da separação, os filhos passam a fazer parte, consciente ou inconscientemente dos acertos de contas entre os exs.
Os pais acusam-se mutuamente frente aos filhos e de repente onde um vê moinhos o outro passa a ver gigantes. Um quer residência alternada o outro quer o filho só para si. Um quer dividir despesas, o outro alega quase pré-insolvência. Um quer que o filho pratique futebol o outro que o filho faça natação. Um quer franja o outro quer que o filho corte pente um.
Tudo com insultos à mistura e muitos incidentes processuais de incumprimentos. Os tribunais transbordam destas guerras e não há mãos a medir para tanta intolerância.
Os pedidos de responsabilidade parental mascaram tantas vezes a irresponsabilidade parental.
Foi assim com Ana e Miguel, nomes fictícios. Ana entrou no meu escritório zangada com o Miguel e com a vida. O Miguel estava a viver com outra pessoa e queria que o Afonso ficasse com ele em residência alternada, semana sim, semana não. Ana só de pensar nisso, morria por dentro.
No fim de uma conferência de pais que durou quase duas horas, A Ana e o Miguel acordaram em fins de semana alargados de 5ª a 2ª, indo o pai buscar e levar ao equipamento escolar.
Passaram meses. Encontrei por acaso a Ana. Disse-me feliz que o Afonso está óptimo e que nos fins de semana em que ele está com o pai, ela aproveita para ter aulas de mergulho, um sonho antigo.
Felizmente, cada vez mais há pais que percebem que o caminho é feito de cedências e consensos na procura da melhor solução para os filhos.
Os advogados e os magistrados podem ter aqui um papel importante. A litigância nestas matérias não serve os interesses de ninguém.
A solução é procurar um advogado e estar aberto ao diálogo e à negociação.
Aqui, um acordo será sempre um bom acordo e uma demanda será sempre uma má demanda.
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